Vícios e compulsões
- Sabrina Dias
- 10 de jul. de 2020
- 4 min de leitura

Vamos falar hoje sobre os vícios. Esse tema me surgiu, pois nesse processo de autoconhecimento, descobri que desconto na comida, mais especificamente, nos doces, alguns descontentamentos diante da vida. Gerando assim, problemas de saúde, além daquele efeito sanfona, bem desagradável, que tenho certeza que muitos aqui se identificarão. Para começar, como você definiria a palavra vício? Eu sempre associei essa palavra ao consumo excessivo de bebidas, cigarros e drogas ilícitas. E acredito que a maioria aqui também, não é mesmo!? Bom, fui pesquisar sobre o assunto e pude perceber que essa palavra pode ter vários significados. No dicionário, por exemplo, vício é considerado um defeito ou imperfeição grave de pessoa ou coisa. Já no site Wikipédia, é um hábito repetitivo que degenera ou causa algum prejuízo ao viciado e aos que com ele convivem. Já, segundo a Organização Mundial de Saúde, o vício é considerado, por sua vez, como uma doença física e psicoemocional. Agora, de acordo com a Psicologia, o vício é um mecanismo de fuga emocional em que o indivíduo obtém prazer e foge de sua dor. Independente de definições, entendi que é um ato prejudicial à saúde, ao bem estar físico e emocional, trazendo transtornos também para aqueles que convivem com o viciado, em questão. Através da pesquisa feita para falar sobre esse tema, percebi que meu conceito estava totalmente equivocado, pois existem muitos tipos de vícios espalhados por aí. E o que eu fazia, também era considerado um vício, uma compulsão alimentar, afinal, mesmo que inconscientemente, descontava no consumo dos doces, tudo que eu reprimia dentro de mim, tudo que estava mal resolvido, psicologicamente falando. Descobri, então, que podemos descontar nossas frustrações em compras e acúmulos de bens materiais considerados desnecessários, causando assim um prejuízo financeiro. Podemos nos viciar em consumo exagerado de bebidas alcoólicas ou outras drogas lícitas e às vezes ilícitas. Podemos descontar a nossa insatisfação em comida, nos alimentando de forma compulsiva e nos trazendo muitos transtornos alimentares. Hoje em dia também descontamos nossas frustrações, passando horas na frente de uma tela de celular, navegando nas redes sociais. Enfim, existem diversas formas de nos viciarmos em algo e fugirmos, dessa forma, de uma realidade que nos atormenta. Muitas vezes, por medo de encará-las de frente e resolver a fonte da insatisfação. É importante não confundirmos vícios com hábitos comuns do nosso dia a dia. E como diferenciamos os dois? Simples, basta prestarmos atenção às consequências dos nossos hábitos diários, pois o que separa o vício de um hábito comum é justamente o prejuízo que este comportamento recorrente causa em nossa vida. Como os vícios se instalam em nossa vida? O vício, seja ele qual for, se instala em nossa vida como uma fonte de prazer e ao mesmo tempo serve como uma fuga da realidade, uma maneira de esquecermos, mesmo que momentaneamente, aquilo que nos desagrada. A pessoa busca no vício uma satisfação perdida, por algo que o descontenta em sua realidade. É uma forma de compensação, em função de algo que o desagrada e que o entristece. Geralmente esses vícios têm sua fonte associada a algo que o indivíduo traz em seu subconsciente desde a infância ou por algo reprimido em sua vida atual. Fui pesquisar a fundo e descobri que existem diversas causas que levam uma pessoa a desenvolver um vício. E quais seriam essas causas? Algumas delas são: - Desequilíbrio emocional, - Baixa autoestima, - Inseguranças e medos, - Necessidade de ser aceito em uma sociedade que impõe valores e conceitos pré-concebidos. Alguns aspectos da infância também podem interferir diretamente no desenvolvimento de vícios, segundo a Psicologia. Como, por exemplo, aquelas pessoas que foram rejeitadas por seus pais, ou comparadas com outras crianças, podem desenvolver baixa autoestima e para que sejam aceitas socialmente, acabam por desenvolverem vícios. Outro caso muito comum são aquelas pessoas que foram muito mimadas na infância e, por conta da ausência dos pais, receberam deles tudo que podiam, com o intuito de suprirem a sua ausência, acarretando em um indivíduo que não sabe ouvir não, que não lida muito bem com a frustração, gerando assim, uma tendência enorme a diversos vícios para suprirem essas frustrações que a vida nos apresenta constantemente na fase adulta. Tem também os casos das pessoas extremamente tímidas e que escondem o que sentem como forma de se protegerem ou por não saberem lidar com suas emoções. São pessoas instáveis emocionalmente e que encontram nos vícios uma forma de fugir de seu mundo interior e de suas emoções um tanto quanto desequilibradas. Quando não temos consciência da maneira como cada sentimento age em nossa vida, acabamos criando formas inconscientes de extravasar essas emoções reprimidas. Existem também aqueles casos de pessoas que tiveram pais viciados, o que infelizmente, é mais comum do que a gente imagina. Essas crianças tendem a se tornar adultos com vícios e comportamentos compulsivos. Mas também existe a possibilidade dessa criança tomar horror a esses comportamentos e ao invés de repetir os vícios, acabam repelindo o comportamento dos pais. Como podemos nos livrar dos vícios? Para nos livrarmos de um vício ou compulsão, primeiramente, a pessoa tem que enxergar o problema e aceitar que ela é dependente química ou emocional. Ela tem que estar disposta a olhar para dentro de si e buscar as causas da dependência, seja ela qual for. Se aceitar como um dependente químico ou emocional, é a parte mais difícil, pois na maioria dos casos, a pessoa reluta em se assumir como tal. A partir da aceitação, é importante buscar ajuda profissional, caso seja necessário, pois às vezes a pessoa até consegue se livrar da compulsão somente com ajuda de amigos e familiares, mas em outros casos não. Por isso, é importante, na maioria das situações, a ajuda de um profissional da área. Muito importante lembrar que nesse momento de reconhecimento da patologia em questão, o apoio e auxílio das pessoas próximas são de suma importância para que o tratamento surta o efeito desejado e o indivíduo possa restabelecer a sua vida, longe dos vícios e das compulsões.



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